março 06 2020 0comment

Mulheres do Instituto Tênis | Ana Candiotto e Débora Candiotto

Nesse dia Internacional das Mulheres, confira a entrevista exclusiva com nossa atleta Ana e sua mãe, Débora!

Ana Candiotto

1) O que você acha que o tênis ajudou na formação do seu caráter como mulher?

O tênis me ajudou a ser uma pessoa melhor, mais dedicada, independente, comprometida, resiliente, motivada, me ajudou também a me conhecer melhor, fisicamente e mentalmente, e principalmente a ter respeito por todos.

2) Quais foram as suas maiores fontes de inspiração no esporte e por quê?

Me inspiro muito na Maria Esther Bueno, que fez muita história no tênis e por ser brasileira mostrou que eu também posso chegar la, além disso gosto muito da sharapova, que desde nova, abdicou de tudo que ela tinha e correu atrás do sonho dela. Também gosto muito da Serena, que também teve uma infância difícil, mas conseguiu superar tudo e mesmo depois que teve uma filha conseguiu voltar a jogar num nível impressionante. Essas três são grandes símbolos no tênis para mim.

3) Por que você acha que o tênis feminino brasileiro tem poucas atletas de alto rendimento?

O tênis é um esporte que não é muito incentivado no brasil, e o tênis feminino menos ainda, a cultura do Brasil é uma cultura que não incentiva as meninas a se aventurarem, a fazerem coisas diferentes, a ousarem e isso faz com que o número de jogadores homens seja muito maior que o das jogadoras mulheres. Além de ser muito difícil de encontrar um bom lugar para treinar, arrumar patrocínios para ajudar nas despesas das viagens e suplementos.

Débora Candiotto, mãe da atleta

1) Considerando que a Ana não é sua única filha, como é ter uma filha tenista? Quais as dificuldades de ser mãe de uma tenista infantil de alto rendimento?

Eu tenho 3 filhas mulheres e maravilhosas, sendo que duas continuam no tênis – a Júlia de 21 anos, que está estudando na Ave Maria University, em Napples, perto de Miami, que joga pelo time da faculdade, e a Aninha, de 15 anos, que é alto rendimento, super comprometida e atleta do Instituto Tênis há 3 anos.

Acho que ser mãe de qualquer atleta de alto rendimento no país é um grande desafio. De mulher atleta ainda mais. Você começa com elas pequenas, vendo habilidades e tendo que abrir mão de seus medos para que elas alcem vôo. Incentivar uma possível profissão como essa de tenista é muitas vezes questionada, por amigos, por família, pela escola… então já partimos de ter que enfrentar medos e questionamentos de todos mais os seus próprios.
Acredito que a criança é o que mais conta para dar continuidade ao processo. A Aninha desde cedo deu muitos sinais que amava o que estava fazendo, e que mãe não faz o possível para concretizar a felicidade de um filho? A gente procura fazer…
Dificuldades? Inúmeras:

Acreditar no improvável, aprender sobre o esporte, aprender como se comportar sem causar ansiedade ou atrapalhar a filha, acompanhar em muitos torneios quando são pequenas, dividir caronas, dividir quartos com outras pessoas, fazer milhões de contas para o dinheiro bastar, tomar decisões importantes como deixar uma filha de 12, 13 anos morar fora de casa, deixar a menina viajar por muito tempo sem voltar para casa, trocar a escola regular… São muitas as decisões que a cada etapa de uma carreira, mesmo que juvenil, você tenha que ajudar a tomar e concordar. Mas eu tenho a convicção de que só pessoas e mulheres corajosas conseguem se tornar atletas de alto rendimento. É muito trabalho, trabalho duro, muitas críticas e muita resiliência. A dica é ir por partes, confiando nas pessoas com quem você decide deixá-las guiar, sempre trocando ideias, amadurecendo, e a cada etapa pensar bem na próxima tomada de decisão. E estar sempre disponível, firme às vezes, outras dando aquele aconchego. Mas a realização delas é o que importa no final. Tenho ainda a Fernanda, que acabou de fazer 18 anos, jogava muito tênis também, mas a certa altura não quis mais competir e pretende ser bióloga.

2) Como é a relação da Ana com os estudos, sendo uma atleta?

A Aninha sempre foi excelente aluna, daquelas que são convidadas para as Olimpíadas de matemática e física, aliás foi bem dura a decisão de deixá-la seguir como atleta até por esse motivo. Mas tomada a decisão vamos em frente. Sim, ela atualmente estuda à distância porque treina dois períodos e viaja muito, fica inviável estudar numa escola presencial, porém está sempre em dia com os trabalhos, leitura de livros e provas. Continua uma aluna nota 10. E aqui vale dizer que se nada der certo, porque ser atleta no Brasil é dificílimo, tudo que ela tem vivido, as amizades, o conhecimento de outras culturas, a independência, os valores de justiça, tudo que tem aprendido com o esporte, posso dizer com toda certeza que já deu certo!